Um estágio mais que especial!

Na formação de um futuro professor de Matemática se faz necessário uma dinâmica que o aproxime da realidade escolar. O estágio é o momento em que o licenciando tem contato com seu futuro campo de trabalho, possibilitando adquirir experiências e uma visão mais próxima da realidade que terá em sua prática profissional.  Oportuniza que os licenciandos ponham em prática o que aprendem na teoria, dentro da universidade. Nessa perspectiva o estágio supervisionado 4, pertencente ao currículo do curso de Licenciatura em Matemática da UNIRIO, é mais que especial, tendo como objetivo a formação dos alunos de licenciatura para as turmas inclusivas. Nele os licenciandos têm a experiência inicial com alunos que tenham necessidades educacionais especiais.

Neste semestre os alunos do curso de Matemática realizaram o estágio no Instituto Benjamin Constant (IBC), que é um centro de referência nacional na área da deficiência visual, e no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que é centro de referência nacional na educação de surdos. Nessas escolas os estagiários têm a oportunidade de perceber claramente como se dá o processo de ensino-aprendizagem de educandos com deficiências, já que nessas instituições as atividades são direcionadas as necessidades educacionais dos alunos, ao contrário das escolas inclusivas de modo geral, cujas atividades são voltadas aos alunos videntes e ouvintes.

De acordo com a lei 13146 de 2015, que entrou em vigor no ano de 2016, conhecida como a Lei Brasileira de Inclusão, as instituições de ensino são obrigadas a acolher os estudantes com deficiência no ensino regular e a adotar as medidas de adaptação necessárias sem nenhum ônus financeiro. Esta lei também prevê que as instituições de ensino superior tomem providências para garantir a formação dos futuros professores, de forma que eles tenham conhecimento necessário a uma educação inclusiva. Desta forma, o curso de Licenciatura em Matemática, em consonância com a lei, visa que os licenciandos tenham uma experiência inicial prática através do estágio.

Para os professores da universidade este estágio também é um momento de desafios e rico em aprendizagem, uma vez que não tiveram a oportunidade de trabalhar com inclusão em sua formação acadêmica. Para a professora Raquel Scarpelli, os professores da universidade também têm a oportunidade de aprender e assim se prepararem para receber alunos com necessidades educacionais especiais na universidade.

No estágio supervisionado 4 os licenciandos acompanham aulas nas instituições de ensino, participam de oficinas, auxiliam os professores, tiram dúvidas dos alunos, fazem mediação, principalmente de alunos com necessidades múltiplas, e também preparam material didático. De modo geral, a ideia é que os estagiários tenham a visão mais ampla possível do funcionamento de uma escola especial e também do trabalho realizado pelo professor.

Percebe-se que a princípio os licenciandos têm medo, pois se sentem despreparados para trabalhar com alunos com deficiência. No INES, por exemplo, os estagiários sentem medo por não saberem a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e entram numa sala com alunos que se comunicam com uma “outra língua”, mas com o tempo percebem que os próprios alunos da instituição se aproximam e tentam ensinar a língua, por fim o medo vai embora e aprendem junto com os alunos.

Neste ano o IBC inovou, colocando no estágio atividades com o Soroban, fazendo oficinas com este instrumento que auxilia os deficientes visuais a fazer contas. Desta forma o estágio vai além da observação, proporcionando ao licenciando participar de atividades que contribuem para sua formação.

Ao final do semestre os estagiários realizam a regência, um momento de grande desafio. Nele os licenciandos preparam e aplicam uma aula, com auxílio do professor que os supervisiona. Para muitos, esta é a primeira experiência no papel de educador em uma sala de aula. Segundo o estagiário do IBC, Diego Ferreira, a regência foi uma experiência incrível e totalmente diferente de tudo que já vivenciou na graduação.

Boa parte do material produzido pelos estagiários fica na universidade, outra parte fica nas escolas e alguns destes materiais já foram publicados como relato de experiência em congressos. Como há pouco material disponível, mesmo na internet, para o ensino de pessoas com deficiência, o acervo produzido contribui para educadores na educação inclusiva em diversas partes do país.

Além de tudo, este estágio é muito especial no aspecto humano. É de se esperar uma experiência enriquecedora e por fim todos aprendem muito mais que trabalhar com alunos com deficiência, aprendem lições de vida. Para a licencianda Ana Carolina Bortolami, estagiária no INES, esta experiência contribuiu para entender de que forma podemos melhorar e introduzir os surdos na sociedade.

Compreendendo a importância não só na formação acadêmica, como também na melhoria da educação, proporcionando uma qualidade de ensino mais igualitária para todos, o curso de Licenciatura em Matemática da UNIRIO planeja ampliar o estágio para outras instituições de ensino além do INES e do IBC.

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